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Em qual caixa você se encaixa?

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 Munzner

Reconhecer nossas identidades de grupo é o primeiro passo para lidar conscientemente com a diversidade – e tirar o melhor proveito disso.

É fácil colocar pessoas em caixas e nos colocarmos nelas também. Grupos de interesse, as famosas panelinhas do trabalho, as tribos, as gerações X, Y, Z… Como reflexo da necessidade humana de ser compreendido e se sentir aceito, buscar se conectar a pessoas com ideias similares é uma postura comum e natural e, às vezes, até inconsciente – mas que pode também limitar nossa forma de pensar e o potencial das decisões de grupos.

Embora globalizados, vivemos em um mundo segmentado. Em nossos ambientes sociais e de trabalho, a polarização social e ideológica vem potencializando conflitos, o distanciamentos entre as pessoas e a dificuldade, ou mesmo incapacidade, de estabelecer diálogos, escuta real e geração de ideias.

A apropriação da diversidade é, no entanto, um dos pontos chave para construir Ambientes para Pensar – onde decisões e ações contém inovação e criatividade. A consultora organizacional e criadora da metodologia do Thinking Environment, Nancy Kline, define o componente da diversidade como “a capacidade de acolher pensamentos divergentes e identidades de grupos diversas”.

Convidamos você a fazer esta reflexão, quem sabe anotando em um papel:

  • Quais são os grupos com os quais me identifico, e sobre os quais a sociedade tem pressupostos, que podem limitar minha influência e autoestima?
  • O que minha organização ou a sociedade pressupõe sobre este grupo que limita a influência e a autoestima dele?
  • Que grupos existem dentro da minha organização? De quais faço parte?
  • O que eu pressuponho sobre minha(s) identidade(s) de grupo que limita minha ação e interação?

Fazemos parte de grupos, inevitavelmente.

 

Propiciar o componente da diversidade em um grupo demanda, em primeiro lugar, que sejamos capazes de reconhecer que fazemos parte de grupos, ainda que não declarados, e que isso, por si só, já nos leva a agir e pensar sob diversos pressupostos limitantes, preconceitos, e vieses de percepção.  A própria noção de preconceito pode ser compreendida aqui como  uma construção cultural resultante de pressupostos não examinados e assumidos como verdadeiros por alguns grupos.

Fazer parte de alguns grupo – ou em outras palavras, ter alguma visão particular sobre determinados temas – não é um problema por si só.  O perigo são, justamente, esses pressupostos não examinados, que assumimos como verdadeiros, sobre nós e também sobre os supostos preconceitos dos outros. 

A todo momento, pressupomos coisas que não são necessariamente verdadeiras e, frequentemente, fazemos isso de forma inconsciente, limitando nosso pensar, nossas ações e a conexão com colegas e parceiros.  O não reconhecimento e acolhimento da diversidade presente gera, portanto, um processo ainda maior de segmentação e afastamento. 

A discriminação é, em muitos casos, real mas pode também ser, em algumas circustâncias, uma percepção distorcida pelos pressupostos automatizados por um grupo – que desempoderam e fragilizam indivíduos.

 

Reconheça: Somos diferentes. E está tudo bem.

 

Precisamos, então, reconhecer a diversidade de forma consciente. Dentro de uma empresa esta diversidade não está só relacionada a valores sociais ou culturais, mas pode ocorrer, por exemplo, entre pessoas de diferentes setores ou departamentos.

A capacidade de reconhecer a diversidade e como ela opera no sentido de limitar nossos pensamentos e  interações, abre então uma possibilidade libertadora, que é exercitarmos conscientemente a quebra de pressupostos enraizados e abrir espaço para novas possibilidades: o olhar além das caixas e ousar ir além delas.

Substituir um pressuposto limitante por um pressuposto libertador, mas igualmente verdadeiro, sobre um grupo ao qual pertenço, me empodera a agir e interagir com mais confiança em um campo diverso.

De forma prática, isso se expressa por meio de uma escuta mais interessada, empática e menos reativa nas interações com quem consideramos diferente ou equivocado. Importante destacar aqui, que toda mudança de grupo – e de uma cultura organizacional – inicia a partir da postura de cada indivíduo.

E como seguir adiante com tantas diferenças?

 

Dentro de organizações ou em grupos, é fundamental exercitar também o olhar para o que nos conecta. Apesar e acima das diferenças, existem sempre pontos comuns. No caso de empresas e instituições, os propósitos e valores da organização podem ser esse ponto de conexão.

Aliás, ousamos dizer que talvez tenhamos mais em comum com os outros do que podemos imaginar. São muitas as caixas que nos separam  mas também muitas as que nos conectam.

Sobre este tópico, convidamos você a assistir o vídeo a seguir, produzido por uma rede de TV dinamarquesa, que aborda a diversidade presente no trabalho e em ambientes sociais.

 

Desejamos que seja inspirador!