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Caso real: o Thinking Environment realmente ajuda em caso de conflito?

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 Munzner

Eram participantes com uma enorme bagagem profissional e experiência de vida neste curso de Fundamentos que demos no Rio. Bem cedo, vieram as perguntas que costumamos receber de nossos participantes:

Como o Thinking Environment funciona na “vida real”, dentro da empresa? Ainda me surpreendo com esta pergunta porque os pré-requisitos de se criar um Thinking Environment são os mesmos, seja no contexto do curso ou na empresa. Afinal, ele só funciona onde tem “vida real”.

E a próxima pergunta: o Thinking Environment funciona onde há conflitos ou é só uma teoria bonita? Ele funciona em organizações reais onde há líderes brigados, guerra de egos? Como criar um Thinking Environment nesse ambiente hostil?

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conflito

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Contexto: a tensão durante o curso

Ao longo do curso, foram aparecendo os olhares questionadores, tensão e endurecimento, as divergências de opinião e até críticas que vinham nas pausas ou nas dinâmicas de grupo. Vários indícios de um conflito emergiam no grupo enquanto os participantes se questionavam se o Thinking Environment poderia realmente ajudar em uma situação de conflito.

Como eu agi em um ambiente de tensão

Trazendo todo meu aprendizado para o limite, eu observava como meu canal interno de resposta se agitava, a musculatura que se tencionava e refazia meu compromisso de sustentar o Thinking Environment até não poder mais. Isso exigia resgatar o tempo todo alguns componentes para dentro de mim:

  • Aceitar que a realidade é diversa e, mesmo que alguém discorde do que falo, é possível continuar interessada e não interromper;
  • Mais difícil foi quando um participante se calou quando era sua vez de falar, demonstrando alguma resistência. Se interessar pela resistência e diferenciar que ele não está resistindo a algo que vem de mim, mas a algo que vem dele mesmo. E gerar na hora uma pergunta incisiva: O que você está supondo que o impede de trazer uma resposta agora?
  • Manter a atenção e suspender qualquer pensamento que compita com o pensamento do outro. Eu conseguia ver as expressões corporais de negação, cabeças que balançavam não concordando, testas que se franziam… O exercício era suspender aquilo que eu pensava sobre a opinião do outro, e que achava ter razão. Eu trazia viva uma frase da Nancy: “Se manter interessada no outro, mais do que no seu medo de que ele prove que você esteja errada.” E, o próximo desafio, se eu estiver errada, reconhecer;
  • Encorajamento, tanto para mim mesma quanto para o outro que eu escutava, foi o componente que mais precisei chamar de volta. Me convidar a sair da competição pela verdade e silenciosamente convidar o outro a fazer o mesmo;
  • E aceitar se ele não o fizer, reconhecendo quando é o meu limite, onde não mais consigo sustentar o Thinking Environment, sendo simplesmente humana e assumindo tudo o que sinto.

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Aliando teoria, prática e conexão humana

Nesta ocasião, tive a oportunidade de experimentar a plenitude de quando se consegue aliar teoria e prática. E senti na própria pele uma fala de um CEO de uma organização suíça: “Para resolver nossos maiores desafios e conflitos, temos que nos conectar profundamente com a gente mesmo, com as outras pessoas, respeitá-las verdadeiramente, falar com coragem e paixão. E tudo se resume a simples interação de humano para humano. Não é nada mais complexo que isso. E não é nada espiritual. Simplesmente seja você mesmo e você poderá inspirar outros a fazerem o mesmo.”

Existem muitas teorias de conflito e ferramentas, mas nada resolvem se a gente não agir a partir deste lugar de conexão humana. Este grupo me inspirou a reavaliar tudo o que eu sabia, ou achava que sabia, sobre resolução de conflitos e confirmar a célebre frase de Bill O’Brien, antigo CEO da empresa norte-americana Hanover Insurance: “O sucesso de uma intervenção depende da condição interior de quem intervém”. A natureza desse lugar interior é ainda um mistério.

Texto de Ana Munzner sobre um curso de Fundamentos do Thinking Environment que ela facilitou no Rio de Janeiro. 

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