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Artigos / Thinking Environment

Uma Sessão de Pensamento na prática

Thinking Environment

 Munzner

Muitos perguntam sobre o funcionamento de uma sessão de pensamento e o que diferencia isso de uma sessão de coaching tradicional.

Uma participante do curso de Parceria de Pensamento (TP) nos permitiu descrever sua Sessão de Pensamento assim como foi na prática. Acompanhe como foi essa experiência!

Rosária sentou-se na cadeira dos que querem experimentar a Sessão de Pensamento e trouxe consigo um tema real e verdadeiro. Durante o curso, havia quatro participantes e todos tiveram a chance de serem Parceiros de Pensamento e Pensadores.

É assim que se aprende no Thinking Environment: não há simulação nem a possibilidade de aprender pela teoria. É sendo real e verdadeiro que funciona.

E assim Rosária iniciou sua sessão: se apropriando de sua realidade verdadeira ao escutar a pergunta do Parceiro de Pensamento feita de forma genuinamente interessada.

Assim foi:

“Sobre o que você gostaria de pensar? E quais são seus pensamentos?”

“Eu não sei bem sobre o que gostaria de pensar. No primeiro dia do curso eu até tinha um tema de verdade. Agora… preciso um tempo para pensar no que vem…”

E ela explorou por alguns minutos alguns tópicos que passaram por sua mente, comprovando a experiência: uma vez que um Parceiro dá atenção generativa e assume os 10 Componentes, é como se uma chama acendesse na mente do Pensador e ficasse lá brilhando enquanto os componentes estivessem a alimentando. Esse nível de atenção catalisa o pensamento no outro.

Imagem ilustrativa

Rosária, então, silencia por um instante. Seu Parceiro não a interrompe nem durante seu silêncio. O silêncio parece até passar mais rápido que se ele ficasse perguntando coisas. “Esperar é mais rápido”, disse uma participante.

Então, ela começou a falar: “eu sei sobre o que eu preciso pensar. Já faz tempo que quero repensar minha carreira. Estou com 47 anos, feliz na empresa, mas consciente de que logo vou me encaminhar para aposentadoria. E, se eu não o fizer, alguém tomará as decisões por mim. Eu não paro de estudar e fazer cursos”.

Imagem ilustrativa

Rosária continuou a pensar em voz alta: “eu vejo meus amigos consultores, alguns que estudaram comigo na época da faculdade e enviam aquelas propostas com valores que me fazer pasmar. Como podem querer cobrar tudo isso? E a gente ainda contrata por aquele valor pois precisamos de apoios, mas depois eles vão embora e percebo que eu saberia fazer o que eles fazem muito melhor”.

A reflexão foi fluindo, os pensamentos foram se libertando: “por que eu não acho que posso ganhar o dinheiro que pago para eles? O que me falta para eu também ganhar como o Joãozinho?”, questionou-se.

No Thinking Environment há uma premissa de que a mente que tem a pergunta tem a resposta. Ficamos lá, eu (Ana) e os alunos, alternando como Parceiros de Pensamento de Rosária, simplesmente interessados no processo de pensamento e aonde mais ela poderia chegar por si mesma antes de precisar de alguma pergunta, um conselho ou qualquer intervenção bem intencionada que pudesse ser ofertada.

E, renovando seu compromisso de continuar pensando por si, o que só é possível porque ninguém a interrompeu, ela continuou: “eu também tenho o meu valor e não teria coragem de cobrar a metade do que eles cobram. É isso que eu preciso destravar”.

Voilà! É sempre um momento de glória quando a pessoa descobre o que está buscando e encontra a trava que a impede de chegar nesse objetivo que, na maioria das vezes, é altamente realista e alcançável.

“Esse dinheiro todo… não é pra mim. É para ele, meu amigo consultor”.

Esse momento decisivo da sessão me comove, pois é quando a pessoa, por conta própria, identifica crenças tão profundas que estavam ainda num plano subconsciente e que parecem saltar aos nossos olhos sem disfarces.

“Eu, Rosária, tive uma infância muito humilde. Eu sei o que é não ter comida. Por isso mesmo que eu valorizo muito o trabalho e a certeza de que, faça chuva ou faça sol, vou ter aquele dinheiro no fim do mês. Mas parece que essa infância me travou. Não sou digna de ganhar mais dinheiro do que é necessário”, contou.

Ela lembrou-se que seu pai dizia “eu nunca ganhei mais que mil reais”.  Rosária continuou: “mas ele sustentou três filhos e ainda emprestava dinheiro pra filho”.

Eu, Ana Munzner, no curso de Thinking Partnership

Durante a sessão, não faço essas reflexões, pois estou ocupada em “só” dar atenção e me esvazio dos meus pensamentos. Mas agora, revisitando esse conteúdo, tomo mais consciência das frases que escutamos das pessoas que mais eram nossa referência de vida quando pequenos e que ficam impregnadas em nossa mente.

Elas se manifestam na vida adulta em cada reação ou influencia a forma como nos sentimos em determinadas situações. São pressupostos falsos que estão comandando a vida como se fossem verdadeiros.

“E agora eu acho que eu teria condições de alçar outros vôos, mas não é para mim tudo isso”.

Esse é um pressuposto dos mais comuns: “isso é legal, eu sei que tenho capacidade de alcançar, mas não é para mim”. É cravada em rocha essa crença.

Rosária mudou aos poucos de fisionomia. Olhos baixos, parece que toda a face ficou flácida. Ninguém do grupo a interrompeu. Uma participante, que percebe as pausas entre cada onda de pensamento, me faz um sinal para interromper, pois talvez uma pergunta agora poderia ajudar mais. Nós decidimos continuar sem interromper.

“Onde eu vou pra destravar tudo isso?”.

É bem assim, a mente começa a liberar uma pergunta atrás da outra. São perguntas do próprio Pensador, sem qualquer ajuda externa. São as perguntas mais genuínas que vejo florescerem na minha frente. Sempre. Muito melhores que as que eu poderia fazer.

É só ter a paciência de esperar para vê-las “saltar” no meio da sessão. Ou não… algumas perguntas que a mente se faz não temos a chance de escutar verbalmente. Elas são feitas de forma implícita e tudo que sabemos é que, antes de uma nova ideia, um insight, um pensamento que destrava algo, a mente se fez uma pergunta que removeu um bloqueio. E o resultado é sempre previsível e maravilhoso.

“Eu cheguei numa solução”.

Observem a fala exatamente como Rosário trouxe: “eu cheguei!”. Não é “acho que cheguei” ou “talvez” – é uma certeza que só quem conseguiu pensar essa solução pode ter.

“Eu tenho que usar os meus recursos hoje para ganhar uma segunda renda e fazer isso de uma maneira tão obstinada até virar uma segunda renda. Preciso ser comprometida com isso que eu falo”.

E se conseguimos esperar até aqui para escutar pela própria Pensadora o que ela tem de compromissos consigo mesma, pode acreditar que é muito mais efetivo que qualquer ideia ou sugestão que pudesse ter vindo de alguém de fora.

Imagem ilustrativa

“Olha o que eu chego a falar: vou atender os meus coachees por um ano sem cobrar. Vou treinar, ganhar segurança… por que estou me boicotando? Um ano de pró-bono… por quê? Não vou mais fazer! Uns três meses está bom, né?”

Mais uma pausa aqui. Um suspiro. Um olhar hesitante longe de qualquer pessoa presente na sala. Rosário parecia ter desaparecido em seu mundo interno.

“Eu comecei a atender e, em pouco tempo, já estou com vários clientes. É hora de eu parar de me boicotar. E eu vou fazer”.

Nova pausa, dessa vez mais longa, numa alternância de estado entre um riso acatado e um recolhimento do riso.

Imagem ilustrativa

Era com amor que o pai de Rosária dizia:

‘Mas que menina burra. Vai de novo estudar? Toda hora essa menina estudando… “agora eu quero estudar”… “agora eu quero estudar”‘.

Pausa, silêncio, suspiro.

Imagem ilustrativa

Ela continuou pensando alto:

“A partir de quando? A partir de já, dos meus próximos atendimentos. É isso que eu vou fazer”.

Aqui paramos para checar: “há algo a mais que você pensa, sente ou gostaria de dizer, Rosária?”

“É de uma simplicidade e sofisticação esse processo que eu duvidei. Eu jamais poderia ter imaginado no início da sessão que chegaria sozinha aonde cheguei”, afirmou ela. “E, Parceiros, vocês desapareceram!”, exclamou Rosária.

Quando entramos nesse estado de atenção e plena presença, é comum o Pensador ter a sensação de que a pessoa presente como Parceiro, ou as pessoas, nesse caso de curso, desaparecem.

Quem sabe é isso mesmo que ocorre…

Nota: escolhi um nome aleatório para proteger a identidade da participante. Por curiosidade, pesquisei o significado desse nome que surgiu espontaneamente no Dicionário de Nomes Próprios:

“Rosária – forma feminina de Rosário. Nome de origem religiosa. Bondosa, busca manter um clima de harmonia a seu redor. Demora a tomar decisões, mas quando o faz não costuma errar”.