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Dedicar sua atenção ao outro pode mover montanhas

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 Munzner

 

Ao mergulhar no mundo do Mindfulness, percebi que a experiência poderia ser muito maior quando eu começasse não só a praticar a atenção plena comigo mesma, mas também com o outro.

Percebi, de alguma forma, que eu estava negligenciando minhas relações, me escondendo dos problemas atrás de um celular, criando conflitos por não perceber as necessidades das pessoas e, o principal, estava deixando escapar uma bela oportunidade de praticar Mindfulness utilizando o outro como objeto da atenção plena. Ou seja, deixando de praticar Mindfulness na maior parte do meu tempo.

E foi aí que decidi buscar outras metodologias que complementassem minhas práticas de pessoais. Tenho muita sorte de encontrar gente que já está nessa busca há tempos e que me apresentaram o Thinking Environment, metodologia da Nancy Kline.

Antes de falar sobre ela, faço uma pausa para falar de um outro estudioso das relações, o Daniel Kim. Esse professor do MIT descobriu que, o que leva as pessoas a terem bons resultados, é a qualidade de suas ações. Essa constatação foi quase que óbvia, então ele resolveu ir mais a fundo: o que faz com que as pessoas tenham boas ações? E em sua pesquisa, ele descobriu que é a qualidade do pensamento. Em um ambiente em que conseguimos evoluir nosso pensamento, conseguimos ter boas ações e, como consequência, bons resultados. E isso tudo impacta nas relações que temos com as pessoas.

Nancy também estudava as relações humanas. Em suas observações, percebeu que, quando temos boas relações, conseguimos pensar melhor, conseguimos ir além.

Segundo ela (e eu tenho comprovado isso no último ano), tudo começa com dedicar uma atenção genuína em quem está falando, suportando o pensamento da pessoa com verdadeiro interesse de que ele evolua.

thinking environment

Também precisamos garantir igualdade na fala. Quantas vezes uma pessoa começa a contar uma história e você interrompe para contar a sua? Você acredita que sua história pode ajudar a pessoa, eu sei, mas é bem provável que, naquele momento, ela esteja precisando falar. E quando a gente interrompe a fala dela (ainda que com boa intenção), aquela linha de pensamento que ela estava construindo nunca mais seguirá seu fluxo.

Um outro ponto importante para criar esse ambiente de pensamento é garantir que ele seja leve. Silenciar os julgamentos ajuda muito nisso. O simples fato de você perceber que está colocando o que o outro está falando em uma caixinha, escolher não dar atenção a essa verbalização mental e então voltar a ter interesse e curiosidade no que essa pessoa está falando, faz com que essa leveza seja instaurada..

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Atenção, igualdade e leveza. Esses são 3 dos 10 componentes (comportamentos) que a Nancy acredita que precisamos manter para garantir que tenhamos esse ambiente em que a gente possa ir além com nossas ideias. Os outros são: sentimentos, encorajamento, apreciação, informação, diversidade, local e perguntas incisivas.

E é muito louco quando você percebe que, caso tenha perdido um dos componentes, o resto da estrutura começa a ruir! O oposto também acontece: quando você se esforça para estabelecer sua atenção na pessoa, essa estrutura se arma. É incrível ver o resultado que isso pode trazer. O quão empoderada a pessoa se sente.

Quando pratico o Thinkining Environment,  me sinto numa meditação ativa, uma meditação da vida cotidiana.

Pare um minuto, pense em algum ambiente e nas relações que fazem parte da sua vida. Avalie se esses componentes fazem parte disso na maior parte do tempo. Provavelmente você perceberá que não.

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Aprendemos desde pequenos a escutar para responder em vez de escutar para impulsionar o pensamento do outro. Então precisamos de muita prática, isso não vem sem esforço. Mas a notícia boa é que todos temos essa capacidade, basta desenvolvê-la.

Se você acha que esse é um papo muito louco, que isso não dá para ser aplicado na “vida real”, saiba que há muitas empresas no mundo que estão se transformando através da qualidade de escuta, principalmente a dos líderes.

O fundador da IBM já dizia lá no comecinho do século XX:

“Todos os problemas do mundo poderiam ser resolvidos facilmente se os homens tivessem vontade de pensar”.

Eu me arrisco a dizer que muito dessa falta de vontade está em não termos o ambiente adequado.

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Tem um pessoal bem bacana que está trazendo essa experiência para o Brasil há algum tempo: a Ana e Steffen Munzner e a Trisha Lord (minha querida professora). Eu estou engatinhando nesse assunto, mas em breve vou promover alguns workshops e, quem quiser provar desse néctar, está convidado.

Mas se você já quiser colocar um pouquinho em prática, tente por pelo menos 5 minutos por dia (ou por semana, vai!) estar inteiro quando alguém conta algo para você. Talvez isso seja tudo o que aquela pessoa precisa naquele momento. Escutar é um ato de generosidade e o mundo corporativo está sedento por isso.

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Texto de Natasha Bontempi, facilitadora de Mindfulness da IBM. Natasha fez o curso de facilitadores de Thinking Environment em São Paulo com Trisha Lord. Este texto foi publicado orginalmente no seu perfil do LinkedIn.