x

Menu

Artigos / Thinking Environment

Os 10 componentes de um Thinking Environment

Thinking Environment

 Munzner

Como iniciar e manter um Thinking Environment?

A base do Thinking Environment são os seus componentes, que são uma forma de tratar o outro para catalisar seus pensamentos. Quanto mais desses componentes estão presentes no Ambiente, seja numa reunião, numa sessão de pensamento ou até na interação entre amigos e família, mais se promove o pensamento independente.

Nancy Kline é a criadora desta metodologia e, ao longo dos seus mais de 30 anos de observação e pesquisa, comprovou sua eficácia para o desenvolvimento individual e em organizações.

Desenvolver esses componentes exige prática e disciplina. Com o contínuo aperfeiçoamento de suas percepções sobre cada componente, você vai tornar sua presença cada vez mais natural e abundante. O resultado é visível e sentido pelo outro, não importa se os componentes são expressados de forma consciente ou inconsciente.

1. Atenção

Ouvir com respeito palpável e sem interrupção.

Não é à toa que a atenção é o primeiro componente de um Thinking Environment: sua qualidade leva o pensamento do outro para um novo patamar. De fato, é a qualidade da atenção que determina a qualidade do pensamento do outro. Ela é a manifestação de um genuíno interesse e curiosidade pelo processo de pensamento do outro e onde mais ele pode chegar sem precisar do que você pensa. Você se interessa verdadeiramente pelo pensar independente, por isso, não interrompe.

2. Igualdade

Valorizar todos igualmente em sua capacidade de pensar.

Em um Thinking Environment, todos têm espaço para falar, se manifestar. Todos têm a garantia de sua vez para falar – ou pensar alto – e trarão sua melhor contribuição na presença da atenção. Em pares e rodadas de pensamento, o tempo é igualmente distribuído e as pessoas aprendem a ser sucintas.

A igualdade pode ser preservada mesmo dentro de uma hierarquia, desde que a autoridade não seja usada para conquistar espaço. Uma forma de expressar esse componente é através de combinados e acordos sobre tempos de fala e critérios de decisão. Antes de reuniões e interações em um Thinking Environment, fazemos claramente esses acordos.

E manter os acordos e limites colocados é responsabilidade de todos, igualmente.

3. Tranquilidade

Libertar-se do senso de urgência interna.

Antes de cada sessão de Thinking Environment é importante trazer a atenção dos pensadores para se livrarem de qualquer desconforto ou preocupação, dando espaço à leveza interna – é o componente que traz a tranquilidade para as sessões e isso cria melhores condições para o pensamento de qualidade.

A tranquilidade aparece também quando as pessoas estão confortáveis umas com as outras e livres para dizer o que pensam e sentem, por isso tende a ser mais frequente à medida que elas têm mais experiências em um Thinking Environment.

4. Apreciação

Oferecer um genuíno reconhecimento das qualidades da outra pessoa e do que está funcionando bem.

Uma visão acurada da realidade inclui tanto o que não funciona quanto o que funciona bem.

Nos sentimos valorizados e estimulados em um ambiente apreciativo. Isso desperta em nossas mentes uma sensação de pertencimento e bem-estar. Ao contrário – a presença de criticismo, ameaças e infantilização, impede o pensamento analítico e insights criativos, reduzindo a capacidade de resolver problemas.

Nos ambientes tradicionais, o criticismo impera sobre a apreciação, por isso as pessoas ficam tão relutantes em naturalmente compartilhar suas ideias e dizerem o que realmente pensam. Para incorporar esse componente, recomenda-se praticar uma proporção de 5:1 de apreciação contra criticismo, ou seja, para cada pensamento crítico e julgador, encontrar cinco pensamentos apreciativos sobre a mesma pessoa ou assunto. Isso estimula o pensamento de qualidade.

5. Encorajamento

Sair da competição e incentivar o o outro ultrapassar os limites do seu pensamento.

Em um Thinking Environment é comum aparecerem silenciosamente as vozes “isso é ridículo”, “isso não vai funcionar” ou “não tem nada a ver eu estar pensando isso agora!”. Concorremos com o pensamento do outro e às vezes com os nossos próprios. Competir e comparar não assegura excelência e pode ser contraproducente no longo prazo. Nessas situações, os componentes precisam ser sustentados e é preciso um toque de encorajamento para irmos além dessas barreiras, e encontrarmos um espaço de questionamento e libertação.

O encorajamento também pode ser utilizado para resgatar quem se desconecta, mesmo que por alguns momentos, de um Thinking Environment – é o equivalente a dizer “estamos aqui com você” ou “eu sei que você consegue”.

6. Sentimentos

Permitir alívio emocional suficiente para restaurar o pensamento.

Fomos educados para não expressar sentimentos negativos, e acabamos por suprimi-los, especialmente no ambiente de trabalho. Em muitas situações, a expressão das emoções é combatida e vista como sinal de fraqueza.

Em um Thinking Environment, assumimos que a conexão com os sentimentos ajuda a pessoa a pensar melhor. A expressão das emoções sobre um determinado pensamento é tida como informação (que também é um dos componentes) essencial ao processo.

7. Informação

Fornecer dados e informações necessários. Encarar os fatos.

Tomamos nossas decisões e pensamos com base nas informações que temos, acuradas ou não. O pensar com qualidade depende de informação verdadeira, relevante e atual. Na falta de informação ou quando é incorreta, a qualidade do pensamento e das decisões decai. E todo o processo de pensamento pode ser superficial ou em vão.

Em um Thinking Environment é importante trazer todas as informações de que as pessoas precisam para poderem pensar com qualidade.

É preciso também evitar a negação da realidade, que pode levar a suposições falsas e à construção de opiniões e crenças igualmente não verdadeiras e limitadoras.

8. Diversidade

Acolher o pensamento divergente e as identidades diferentes no grupo.

Quando aceitamos as diferentes perspectivas e visões, ampliamos nossa visão da realidade e conseguimos pensar melhor. Abrir espaço para esse componente envolve aceitação do que é muito diferente de mim e do que eu penso.

A falta dele é expressada por intolerância. As pessoas ficam presas em suas verdades e opiniões.

9. Perguntas Incisivas (Incisive Questions™️)

Remover pressupostos que limitem nossa capacidade de pensar por nós mesmos com clareza e criatividade.

Quando os pensadores se veem presos em suposições limitadoras, são as perguntas incisivas que os fazem questionar e seguir em frente com opções libertadoras.

Ao percebermos um ponto de travamento, podemos perguntar: “O que você está supondo, ou o grupo, que está limitando seu pensamento neste tópico?”. Essa pergunta pode ser respondida em uma rodada ou discussão, se estivermos em uma reunião, ou de forma individual, em sessões.

Ao identificar as suposições limitadoras, podemos perguntar: “O que você deveria assumir ao invés disso que é libertador, ao mesmo tempo factível e verdadeiro?” e daí, responder: “Se você soubesse que esta suposição libertadora é possível, o que mudaria em seu pensamento neste tópico? Que novas ideias ocorrem?”.

Isso é tudo o que a mente humana precisa para remover um bloqueio e continuar a pensar com qualidade e sem limites.

10. Local

Uma forma silenciosa de apreciação.

Este componente refere-se tanto ao lugar físico – a sala ou quarto – como o nosso corpo, que é o “local” dos nossos pensamentos.

Estar com o corpo tranquilo e livre de desconfortos influencia positivamente a qualidade do pensar. Da mesma forma, um ambiente limpo e organizado reflete a intenção de quem os preparou para receber os pensadores e comunica de forma não verbal: “Você importa!”

E isso influencia nos seus pensamentos.

Mais informações no website oficial da Time to Think Ltd.