O Thinking Environment em casos de conflito

Como o Thinking Environment funciona na “vida real”, dentro da empresa?

Em um Curso de Fundamentos do Thinking Environment que demos no Rio de Janeiro, surgiram hostilidades entre os participantes e nós, o que se transformou em uma ocasião perfeita para entender como o TE funciona em casos de conflito.

Nesta ocasião, tive a oportunidade de experimentar a plenitude de quando se consegue aliar teoria e prática.

E senti na própria pele uma fala de um CEO de uma organização suíça: “Para resolver nossos maiores desafios e conflitos, temos que nos conectar profundamente com a gente mesmo, com as outras pessoas, respeitá-las verdadeiramente, falar com coragem e paixão. E tudo se resume à simples interação de humano para humano. Não é nada mais complexo que isso. E não é nada espiritual. Simplesmente seja você mesmo e você poderá inspirar outros a fazerem o mesmo.”

Eram participantes com uma enorme bagagem profissional e experiência. Já bem cedo vieram as perguntas que costumamos receber de nossos participantes:

"Como o Thinking Environment funciona na vida real, dentro da empresa?"

Ainda me surpreendo com esta pergunta porque os pré-requisitos de se criar um Thinking Environment são os mesmos, seja no contexto do curso ou na empresa. Afinal, ele só funciona onde tem “vida real”.

E a próxima pergunta: "o Thinking Environment funciona onde há conflitos ou é só uma teoria bonita? Ele funciona em organizações reais onde há líderes brigados, guerra de egos?"

Como criar um Thinking Environment nesse ambiente hostil?

Utilizando os componentes do Thinking Environment para lidar com a hostilidade

Ao longo do curso, foram aparecendo os olhares questionadores, tensão e endurecimento, as divergências de opinião e até críticas que vinham nas pausas ou nas dinâmicas de grupo.

Vários indícios de um conflito emergiam no grupo enquanto os participantes se questionavam se o Thinking Environment poderia realmente ajudar em uma situação de conflito.

Trazendo todo meu aprendizado para o limite, eu observava como meu canal interno de resposta se agitava, a musculatura que se tensionava e refazia meu compromisso de sustentar o Thinking Environment até não poder mais.

A promessa de sustentar um Thinking Environment para a outra pessoa é a coisa mais importante que um facilitador do TE pode fazer - e ao mesmo tempo é uma das competências mais desafiadoras para se manter em situações de estresse.

Isso exigia resgatar o tempo todo alguns componentes para dentro de mim:

  • Aceitar que a realidade é diversa e, mesmo que alguém discorde do que falo, é possível continuar interessada e não interromper;
  • Mais difícil foi quando um participante se calou quando era sua vez de falar, demonstrando alguma resistência. Se interessar pela resistência e diferenciar que ele não está resistindo a algo que vem de mim, mas a algo que vem dele mesmo. E gerar na hora uma pergunta incisiva: O que você está supondo que o impede de trazer uma resposta agora?
  • Manter a atenção e suspender qualquer pensamento que compita com o pensamento do outro. Eu conseguia ver as expressões corporais de negação, cabeças que balançavam não concordando, testas que se franziam… O exercício era suspender aquilo que eu pensava sobre a opinião do outro, e que achava ter razão. Eu trazia viva uma frase da Nancy: “Se manter interessada no outro, mais do que no seu medo de que ele prove que você esteja errada.” E, o próximo desafio, se eu estiver errada, reconhecer;
  • Encorajamento, tanto para mim mesma quanto para o outro que eu escutava, foi o componente que mais precisei chamar de volta. Me convidar a sair da competição pela verdade e silenciosamente convidar o outro a fazer o mesmo;
  • E aceitar se ele não o fizer, reconhecendo quando é o meu limite, onde não mais consigo sustentar o Thinking Environment, sendo simplesmente humana e assumindo tudo o que sinto.

Existem muitas teorias de conflito e ferramentas, mas nada resolvem se a gente não agir a partir deste lugar de conexão humana.

Este grupo me inspirou a reavaliar tudo o que eu sabia, ou achava que sabia, sobre resolução de conflitos e confirmar a célebre frase de Bill O’Brien, antigo CEO da empresa norte-americana Hanover Insurance: “O sucesso de uma intervenção depende da condição interior de quem intervém”.

A natureza desse lugar interior é ainda um mistério.

Texto de Ana Munzner sobre um curso de Fundamentos do Thinking Environment que ela facilitou no Rio de Janeiro. 

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Empresas que já tiveram contato com o Thinking Environment

Nos últimos anos a Munzner treinou diversos profissionais que também foram pioneiros em levar o Thinking Environment para dentro de suas empresas.

Earthworm Foundation

GIZ – German Development Cooperation

Alltech do Brasil

Sustentare Escola de Negócios

FAE

ISAE

UniCesumar

Darnel Group

PUC Paraná - Escola de Negócios

Petrobras

Grupo Boticário

Oi

IBM

SENAR

Perkons

Famiglia Zanlorenzi

Riosulense

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